Nessa longa caminhada, aprendi que a vida é formada por experiências e essas experiências nos
moldam e criam nossa personalidade. Cada nova experiência que conquistamos vem somar às
antigas mais intensamente que outras. Entendo que uma nova experiência sempre tem um início
conturbado, pois representa novas ideias que podem contrariar as já existentes.
Em Outubro de 2010 iniciamos esse rompimento a favor de novas ideias que inevitavelmente
confrontou com as já existentes, surgindo um movimento em que integrasse todos os estudantes da
UVV, a verdadeira base da representação. A criação do CEB (Conselho de Entidades de Base)
iniciou o marco de um novo movimento estudantil, pois entramos num confronto direto com a
“liberdade” controlada imposta por alguns gestores da UVV e pela atual administração do DCE que
perpetua durante 10 anos sob o comando de pessoas filiadas ao PCdoB (Partido Comunista do
Brasil). O CEB representado por 13 Centros Acadêmicos e com o apoio de mais de 20 cursos da
Universidade rechaçou qualquer tipo de negociação com a atual administração do DCE e com a
UVV, que indiretamente fornece todo o suporte para o financiamento dessa máquina, corrupta e
subversiva aos interesses dos poderosos. Hoje, para se ter ideia, o DCE está sendo investigado pelo
Ministério Público do Espírito Santo pelo envolvimento em diversas irregularidades e sua conta
bancária já está bloqueada judicialmente em 25.412,87 reais, conforme dados do Jornal Painel
Universitário.
Como forma de colocarem descrédito ao CEB, tentaram partidarizar esse novo movimento
estudantil, no entanto a luta contra a corrupção não é uma briga de bandeiras partidárias, mas sim
uma briga por respeito e cidadania, pois a corrupção é contrária ao interesse de todos. Acreditamos
que esta luta é possível a partir da união entre todos que consideram um absurdo as atitudes
daqueles que só buscam o seu próprio interesse à custa dos demais.
Mas o que mais me assusta é essa perseguição descabida por aqueles que estão na gestão das
instituições, como na UVV, contra todos nós alunos e integrantes do CEB. O pivô disso foi uma
manifestação que reuniu cerca de 500 alunos. Diante disso, nossa força mostrou-se latente, e o
medo tomou conta dos que nos temem. Porque nos temer se lutamos apenas pela moralização e
pelos direitos dos alunos?
Nossa marcha se tornou grande e já conseguiu angariar o apoio da maioria dos estudantes do
campus. É tanto que o Conselho preparava também uma chapa para concorrer às eleições do DCE,
mas numa atitude muito bem planejada e antidemocrática por parte da UVV, assim como eu, outros
9 líderes estudantis tiveram suas matrículas bloqueadas pela Universidade sem qualquer tipo de
justificativa, impedindo-nos de participar no pleito e de continuar nossos estudos na universidade.
Hoje estamos enfrentando um período conturbado, nos redescobrimos como estudantes e vimos que
o CEB sempre será uma parte marcante de nossas vidas. Esse período foi um marco onde
começamos a perceber que fazemos parte de uma grande família, e mesmo diante de qualquer
intimidação ou ameaça continuamos a nossa marcha, mostrando que nenhum obstáculo é
intransponível: “NÃO, DA LUTA NÃO ME RETIRO!”.
Parafraseando a música “...de Ontem em Diante”
“E se antes, um pedaço de maçã..
Hoje quero a fruta inteira.
Da luta não me retiro!
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã será nostalgia das conquistas que fizemos ontem.” (Teatro Mágico)
Aos que nos perseguem, deixo claro que não guardamos rancor, mas também não esquecemos.
Lamentamos essas atitudes que mais caracterizam uma Ditadura camuflada do que uma Democracia
transparente. Seguiremos nossa luta com a cabeça erguida e rezando para que Deus nos livre de toda
TIRANIA. Amém!
Autor: Ricardo Aguilar
Revisão: Jonathas Rocha
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